terça-feira, 8 de maio de 2012

Agostinho Vieira é jornalista e tem enveredado pela temática meio ambiente. Gosto do material que ele publica em seu blog no oglobo.globo online. São comentários atuais e postos com bastante clareza. Vale muito à pena visitar o material dele.


O link do blog é:


E segue um dos artigos deles para dar vontade em vocês de ler os demais...Boa leitura!

Amazônia: uma triste história contada em números

Coluna publicada no Globo de hoje:

Há mais de duas décadas, todos os anos, o INPE divulga os dados sobre o desmatamento na Amazônia. O trabalho começou em 88 e desde então já tivemos índices alarmantes, como os 29 mil km² registrados em 95 e os 27 mil km² de 2004. A partir daí os números vêm caindo e fechamos 2011 com 6,2 mil km² de destruição. Mas o que aconteceu com toda essa área devastada? Por que a floresta foi posta abaixo?
Um trabalho conjunto feito pelo INPE e pela Embrapa, concluído no final de 2011, traz algumas respostas bem interessantes. Em primeiro lugar, até 2008 foram desmatados mais de 719 mil km², uma área maior do que toda a região sul do país. Quase 18% da Floresta Amazônica já foram destruídos. Certamente estamos usando toda essa terra para produzir alimentos? Negativo. Mais de 60% do espaço é ocupado pela produção ineficiente de gado. São 447 mil km² de pastos.
Esse dado derruba uma das principais teses da bancada ruralista na discussão do Código Florestal. A de que falta espaço para plantar. Apenas 35 mil km², cerca de 5% de tudo que foi derrubado, são usados para a agricultura. A estratégia é: primeiro derruba, depois vê o que dá para fazer. A prova disso é que foram identificados 150 mil km² de áreas desmatadas que estão “num processo avançado de regeneração como floresta”. São três estados do Rio inteiros de floresta secundária.
Resumindo: antes de termos um Código Florestal decente, precisamos de uma Política Agrícola e Ambiental inteligente. Não dá para continuar tendo uma cabeça de gado por hectare enquanto a depauperada Argentina tem três. Terras férteis devem sim ser usadas para plantar. Mas o resto precisa ser preservado, pois os serviços ambientais são imprescindíveis para a nossa sobrevivência. Em lugar do slogan “Veta Dilma”, que tal um “Gerencia Dilma” ou mesmo um “Governa Dilma”?

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