quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ontem, no blog do Agostinho Vieira, "Economia Verde", foi publicado este artigo, de autoria da Profª. Maria Izabel Barreto, da PUC-Rio. Concordo com o texto, mas acho que ela poderia, para ser mais clara e direta, que a sustentabilidade e a conservação do meio ambiente, só podem ser alcançadas com EDUCAÇÃO. Boa leitura!!

Sustentabilidade do ser humano

Por Maria Isabel Barreto (*)
Estamos no meio de mais um acontecimento histórico: a Rio+20. Tem se falado muito em ecologia e sustentabilidade. É, ou pelo menos deverá ser, o novo paradigma do século XXI. Entretanto, sem uma mudança de perspectiva, ficaremos somente no discurso.
O tema desenvolvimento sustentável talvez devesse ser adaptado para sustentabilidade para o desenvolvimento. Mesmo assim, o enfoque ainda está no meio ambiente. Nada contra, muito pelo contrário. Porém, para que possamos chegar ao meio ambiente, ao externo, precisamos começar com o ser humano, dentro das células que o constituem – seus pensamentos, sua consciência, sua essência.
O processo precisa acontecer de dentro para fora. Porém mudar hábitos, comportamentos, atitudes é uma coisa muito difícil. Fica mais fácil falar sobre o que está fora de nós: o meio ambiente.
Penso que o que está faltando é coerência. Ou seja, conexão entre discurso e prática, para então poder fazer sentido e ser verdadeiro. Contudo, para que haja coerência é necessário que existam valores; tanto para pessoas físicas quanto para as jurídicas, as organizações.
E para que os valores existam, as pessoas – físicas e jurídicas – precisam ter consciência (de tudo e de todos). E esta só surge quando se desenvolve a autoconsciência, o autoconhecimento, se descobre o sagrado em cada um de nós, a nossa essência, para então descobrirmos qual a nossa missão de vida. Afinal, as empresas só existem por causa e para as pessoas (físicas).
Em termos de gestão, as organizações que já têm alguma consciência estão ainda na gestão de sustentabilidade dos recursos naturais (quando abraçam alguma causa com objetivos de Imagem Institucional) ou de seus recursos materiais (reciclagem de resíduos sólidos, por exemplo).
Levanto então uma questão para ser contemplada: e a gestão da sustentabilidade de seus recursos humanos? – aqueles que fazem qualquer empresa funcionar, produzir, gerar lucro, etc. Estes recursos também precisam receber uma atenção especial para que a mudança possa ocorrer do interior para o exterior.
Na história recente da administração, houve a ‘onda’ da qualidade total, em vários setores. Primeiro, as organizações passaram pela fase da busca pela qualidade em produtos. Depois, pela de qualidade nos processos. Recentemente, entraram na fase da qualidade nas relações. Penso que a próxima poderá ser a da qualidade das pessoas.
Sem uma mudança no interior das pessoas, ficará difícil haver uma transformação do planeta, aquela que precisamos e queremos ver, para que possamos manter a qualidade de nossa vida e salvar a nossa espécie. 

(*) Maria Isabel Barreto é professora da PUC-Rio e sócia-diretora da OIKOS Group (Consultoria).

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